Eu não deveria ter te deixado partir. Deveria ter gritado que te queria aqui quando você saiu por aquela porta e me mandou seguir enfrente, sem você, mas eu estou parada aqui até agora, sem reação, sem você e até mesmo sem mim. Sem saber mais como agir com essa falta de você, essa falta de nós. Eu estou aqui te esperando. Te esperando do meu lado. Me pergunto se você se lembra da mesma forma de que eu me lembro daqueles meses, quando tudo parecia estar dando certo, quando éramos nós, e não apenas eu e você, como agora. Não sei se suportarei essa tua ausência, meu coração pulsa cada vez mais fraco só em pensar que te perdi, ou que, talvez nunca mais possa te ter. Mas você me mandou ir embora, e eu continuo aqui, parada, esperando você voltar. E me culpando todos os dias por ter deixado-me sem ti. Mesmo fazendo tanto tempo, você ainda é o motivo dos meus sorrisos, suspiros e lágrimas Os olhos cansados de olhar sua fotografia, mais uma vez choro. Choro de saudade. Sei que deveria ter feito que nem você, sei que deveria ter engolido o passado e ter seguido em frente. Mas eu ainda assim não consegui, mesmo sabendo que esse era o caminho errado eu permaneci trilhando o caminho que planejávamos, mas agora sem você. Eu me recaio por amor só em pensar em você, em nós. Ainda espero sua volta, espero a volta de seu corpo sobre o meu. Tudo era tão melhor sem você. As noites não eram frias como hoje. Meus quadris sendo regidos pelas suas mãos. Estalando nosso beijos. Ainda lembra de como você me tinha? Ainda se lembra que eu sempre serei tua? Uma parte de mim não consegue aceitar o fato de que terminamos algo que nem sequer iniciamos, uma parte de mim sabe que não acabou e se recusa continuar sem você. E mesmo que eu me machuque todos os dias, e sofra a acreditar em uma realidade que não existe, eu continuo a insistir em nós. Esses dias solitários parecem intermináveis, mas quando você entra por aquela porta e diz que sente a minha falta, tudo volta a ser como era. Tudo volta a flamejar como antes, meu coração volta a pulsar mais e meus olhos brilham intensamente. E outra parte de mim, o manda embora. Mas essa parte é tão pequena, tão escassa de vontades próprias. Meu corpo volta a esquentar, a parte gélida não existe mais. Pulsando ainda mais, me sinto impulsionada ir até você. Me sinto melhor com você. Sinto que preciso de você, aqui e agora. Necessito das tuas mãos junta as minhas e de seu corpo colado ao meu. Preciso do seu abraço aquecedor e de seus beijos longos e obstinantes Preciso do seu suor misturado ao meus, de sua voz ecoando em meus ouvidos. Preciso de você, meus olhos gritam isso. Meu corpo pede você. A primeira atitude que me veio na cabeça, era te ligar, ouvir tua voz e te chamar pra vir me abraçar, me beijar e me ter novamente. Não, pensamento errado, já eram 2:58 da manhã, esta hora já deves estar em sono profundo. Pensando bem, não tenho nada a perder. Preferia interferir seus sonhos, sei que neles eu não me encontrava mais e um resto de ciúmes gritou mais alto. Não suportaria nenhum pouco saber que sonha com outra.
Digitei seu número sem precisar consultar a agenda, já que, sabia decorado. Minhas mãos começaram a suar frio, não era medo, apenas receio de uma voz feminina atender o telefone e dizer que você dormia. Receio de você não me atender, ou pior, não querer me atender. Escutava cada vez mais o telefone tocar, minha esperança de que você atendesse estava diminuindo. Então, finalmente, você atendeu.
—Oi? (Falei baixo e com insegurança)
—Oi? (Disse em tom de surpresa, ele deveria achar não teria coragem ou que não passaria por cima de meu orgulho por ele.)
Por um instante eu me deixo levar pelo som da tua voz, pela sua intonação perfeita, e pelo teu jeito manso de falar, por um instante penso que tudo poderia voltar a ser como era, e ficom com uma vontade imensa de sair correndo desse quarto solitário e bater na tua porta. Por um instante volto ao passado e lembro dos seus sussurros baixinhos em meu ouvido dizendo: ‘eu te quero’. Mas eu não podia ficar muda, deveria ser direta, mas se eu fosse com tamanha exatidão você talvez não entendesse. Então, tentando ser direta e objetiva, quando iria dizer-te tudo que estava entalado na minha garganta, parei. Parei e pensei, não, era melhor que ele percebesse o que se passava comigo e o que tanto queria.
—Ah, eu acho que não é um bom momento, deixa pra lá, esquece que te liguei, esquece, finge que isso nunca aconteceu. Eu sou uma estúpida, adeus.
Eu me desesperei, não sabia o que falar, na verdade eu sabia e tive e tive pressa de falar e tive mais medo e não tive coragem, como sempre me faltou coragem. Desliguei o telefone o pressionando contra meu peito, ele toca, era ele:
—Por que desligou? O quê tinha de tão importante pra falar?
—Você tem coisa melhor pra se preocupar do que escutar os lamentos de uma ex-namorada, de uma idiota que ainda te procura e te ama como ninguém. Você tem pessoas melhores ao teu lado, não tem? Eu aposto que tem. Você sempre foi rodeado de garotas, e agora não poderia ser diferente. Eu não ligo, juro que não ligo. Fique com elas, mas por favor, fala, fala logo que não me quer perto de ti. Eu aceito, eu supero, mas nada de meio-termo, nada de mais discordâncias e reticências entre nós. Desembucha pra mim.
—Não preciso escutar, mas eu quero escutar minha ex-namorada. Quero saber o que tanto quer falar de importante. Você sempre dizendo as coisas que você quer vê, mas enquanto estivemos juntos eu era só pra você. Eu poderia estar procurando alguém melhor que você, mas sabe por que até agora não encontrei alguém melhor? Não, não é porque você é a mais perfeita das mulheres, mas é que para mim é você a mais perfeita mulher. E acho que você nunca quis entender e enxergar isso. Seu problema foi esse medo contorcido e essa vontade de ficar calada e esconder essa voz e esse seu jeito de inocente. O nosso problema foi você querer enxergar do seu jeito e nunca abri os olhos para olhar do meu lado da janela.
—Você se lembra da ultima vez que a gente se falou? Eu fui até a tua casa para acabar com tudo, mas aí eu te vi. Você. Você. Você. Sempre você. Por que você me tem de uma maneira que só você sabe. Porque você me domina e me faz voltar atrás e desdizer tudo que te falei na noite passada. E eu passei todos esses meses tentando te tirar de mim, mas seria impossível, porque seria como me tirar também. Eu me evaporaria sem você, morreria aos poucos e dilaceraria. Eu me odeio por ser dependente de você e sempre voltar e te falar tudo que há comigo, com nós. Não fala nada, só escuta minha voz ofegante te dizer o que tanto quero. Eu não me importo sobre o que você queira ou não, eu não me importo se você precisa ou não de mim, não ligo, só quero que entenda. Eu não estou te exigindo nada, muito menos te obrigando. Enquanto você dorme, fico me imaginando com você, nós dois, a sós. Fico sonhando contigo, acordada. Eu odeio te dizer isso, e odeio mais ainda confessar que te amo, odeio mesmo. Então, sem querer ser direta, mas já sendo: Você é tudo que me importa. Eu poderia fazer qualquer coisa por ti, por nós. Eu moveria montanhas se preciso, e mudaria por você. E não importa quanto tempo passe, sempre será eu e você, mesmo não sendo nós. Simplesmente sou sua. Independente de você ser meu ou não.
—Esse foi o erro. Sempre foi eu, e nunca nós. Você me amou mais do nos amou, entende? Eu te amo, e amo ainda mais nós. Não é tão dificil de entender isso, não é tão difícil você perceber isso. Não, escute você, você que faz um ideia errada sobre meu amor. Você acha que sou mais um cafajeste, igual dos livros de romance que tanto lê, e fica com medo, medo de que eu possa errar como eles. Não fomos feitos um para o outro, mas fomos feitos um para o outro. Somos incógnitas, mas juntos somos o segredo da nosso felicidade. Eu não quis te perder, mas foi preciso que terminássemos, talvez o nosso fim trouxesse outro começo. Talvez outro pudesse lhe arrancar os sorrisos que eu transformei em lágrimas. Não faço agora o discurso dos namorados culpados e bem longe disso, não peço perdão pelos erros cometidos. Só reconheço, só reconheço que pequei em errar com você, reconheço que eu erro não estando mais com você. Não é apenas você que sente falta, não é apenas você que precisa do passado de volta. Na verdade quero algo melhor que o passado, quero o nosso futuro.
(Eu fiquei sem fala, liguei com medo. Medo. Medo. Na verdade era mais receio, ou os dois juntos. Não sabia que ele queria o mesmo, talvez eu tivesse sido agressiva demais, mas foi preciso eu falar, foi preciso desengasgar. Ele ainda me amara, talvez não fossemos pra dar certo, mas não saberíamos se não tentássemos, não saberíamos se não voltássemos. Mas tive medo mais uma vez, de tentar dar mais um passo, e se esse passo fosse em falso? Mesmo com todas as suas palavras ele poderia apenas estar querendo me confortar, ou dizer que me ama, mas que é melhor não termos mais nada.)
—Talvez, eu estivesse esperando uma iniciativa, uma deixa para que eu pudesse lhe trazer de volta. E como dizia aquela velha frase clichê, “foram feitos um para o outro, mas não para estarem juntos.” Talvez fosse isso, nos amamos, caminhamos e nos perdemos no meio do percurso. Desculpe-me por sempre ir embora e te deixar sem notícias sobre mim, mas não faço com a intenção de te deixar mal, faço pra não acontecer algo pior, se é que tem algo pior do que nossa distância. Então, me perdoe por sempre estragar tudo. Foi tudo tão lindo, nossa história foi como nos contos de fada, pode ser que não tenha sido tudo tão perfeito assim, mas tudo era perfeito para nós dois. Eu não estou lhe culpando por desgastar nosso amor, na verdade, boa parte da culpa foi minha. Eu sempre faço tudo errado, não é? Sei que faço. Porque sempre te deixo decepcionado comigo. Desculpe-me, mas não consigo continuar, eu te amo como nunca amei ninguém, mas eu preciso que você saiba que isso está somente machucando eu e você. Eu quero você aqui da mesma maneira que não quero. Eu te amo. (Sussurrei baixo, com a expectativa de que não pudesse me ouvir, quase inundando de lágrimas, mas resisti, sempre resisto. E então, fiquei em silêncio.)
—Eu te amo também, te amo como você nem imagina. E fui embora pelo seu bem, eu não iria te fazer sorrir sempre, eu sei que não, nunca fui o príncipe que você, minha princesa, merecia. Nosso amor era maravilhoso. Mas não vale a pena salvá-lo. Não vale a pena, arriscar suas lágrimas por mim Não vamos ter fim, mas também não teremos uma continuidade daqui pra frente. Eu quero você bem, preciso de você bem. Sei que está sendo clichê, sempre fomos esse clichê ambulante em que nos domingos o casal sai e toma sorvete na praça. Sempre fomos maiores que o amor, sempre amamos mais do que deveríamos e suportaríamos.
—Não vai ter fim. (sussurrei, mas dessa vez sem conter as lágrimas.)
—Eu só queria você mais uma noite, ter seu corpo junto ao meu mais uma vez. Preciso de você, o seu beijo e sua pele e seu perfume e seu amor. Preciso disso tudo novamente. Preciso de ter seus braços no frio, de suas palavras duras que me fazem ver a vida do jeito certo. Não quero um para sempre, quero apenas mais uma chance. Chance de acertar o que erramos. “O nosso amor a gente inventa”, vamos inventá-lo novamente, vamos nos amar mais uma vez.
Alguns minutos de silêncio se passaram, e eu então, convicta, tive coragem de “quebrar o gelo” entre mim e ele:
—Quero te perguntar se ainda pertencemos um ao outro, ou se você já mudou de ideia em relação á mim, á nós. Quero saber se ainda se importa comigo, e o que será o fim dessa nossa confusão discordante. Vou te confessar que, se eu desistir de você, eu vou acabar desistindo de mim. Eu não consigo me conter a me manter longe de você. E não quero, realmente não quero viver nessa distância entre nós. Quero eu e você, aqui e agora. Me deixe ou me aceite como eu sou. Vamos viver nossa vida, e se possível, juntos. Não gosto de brigar com você. Não gosto de ficar sem falar com você ou até mesmo de ficar nesse clima, como se fôssemos dois desconhecidos. Eu quero que seja como antes, ou talvez, até melhor. Eu tenho medo. Medo de nós dois não conseguir superar esses obstáculos que insistem em aparecer nas nossas frentes, tenho medo de nós dois seguirmos em frente, sem ser um do outro. Não pense que eu consigo seguir sem ser sua, eu sou tua desde sempre. Eu fui sua até quando você me causou dor. Eu temo, temo o seu medo de não tentar. E se fôssemos devagar, fôssemos como duas crianças tentando descobrir o mundo, vamos desbravar os horizontes juntos? Sei que parece ser perfeita essa ideia e que nada pode dar errado, mas pode dar errado, querido, podemos errar e não dar certo. Mas eu não me importaria de dar errado com você, não me importaria de tentar e tentar e tentar acertar de novo com você. Não me cansaria de tentar com você.
—Quando eu acordo sem você, e olho para o lado esquerdo da cama, e vejo que você não está lá, eu não me sinto nem um pouco bem, se é que tem como ficar bem sem você aqui. Tento prosseguir sem ti, confesso. Mas é quase impossível prosseguir uma vida em que você faz a maior parte dela. Eu queria poder voltar o tempo e acertar tudo que fiz errado com você. Queria poder regredir e tentar mudar essa nossa situação estagnada. Eu sei o que nós dois queremos agora, e sei principalmente o motivo no qual você me ligou esta hora, hora perfeita pra estarmos um com o outro. Toda noite solitária minha sem você, deito e rezo pedindo que você volte. Ou que nós voltemos a ser o que éramos. Se você pudesse entrar em minha mente, você entenderia essa minha confusão de palavras. Porque eu me sinto tão sozinho por não ter você aqui. Me sinto tão sem mim por não ter você.
—Você não precisaria nem entrar em minha mente para saber que eu preciso de você aqui, meu corpo mostra isso. Minha falta de apetite, e meus olhos escassos em sua busca a todo momentos. Eu sou saudade, eu sou lembranças e lágrimas sem você. Você não precisa se sentir sozinho mais, se sinta comigo agora porque você sempre me teve, eu sou sua e sua e apenas sua, até quando terei de repetir isso? Até quando terei de provar que eu só amo você? Aqui, agora e sempre. Talvez não seremos como antes, mas te garanto que a partir de agora será melhor do que um dia já foi. Será mais honesto e seguro. Eu quero você, eu preciso de você.
—Me responde uma coisa: Você pensou que eu seria feliz sem você? Sério mesmo que você pensou isso? Eu posso ter sido um hipócrita, um péssimo namorado, ter feito você chorar por mais que duas noites seguidas e por ter feito você sofrer mais do que o suportável. Mas eu te amo, eu posso não saber demonstrar isso. Mas eu te amo mais do que a mim mesmo. Eu ainda te amo e me perdoa por tudo, me perdoa por ser tão estúpido ao ponto de ir embora e te deixar sem mim. Me deixe ser tudo que um dia, eu já fui de você.
—Minha amiga estava errada quando disse que namorei mais um moleque. Você é um homem. Pensei, pensei em tantas coisas que quase explodi. Eu te amo, te amo desse jeito doente, amo desse jeito torto, mas eu amo você mais do que a mim mesma. E por te amar tanto que o espero, espero você todas as noites adentrando pela minha porta e me tendo como antes. Eu sendo sua, você sendo meu. Meu corpo chama pelo seu. Minha cama está do mesmo jeito que deixaste, a espera de que você a bagunce comigo. Vem, tá frio e meu corpo treme sem o teu calor.
—O pior é que eu te amo. Te amo mesmo, de verdade, de corpo e alma. Tudo. Amo teu jeito inseguro com medo de me perder e o teu modo de me contar as coisas. Amo tanto que acabei me perdendo em meio á você. Eu quero te encontrar agora mesmo, desculpe-me se estou sendo direto demais. Quero ir até a você e te beijar sem intervalos de tempo.
—Então venha, meu corpo está a clamar por você. Minha boca seca, precisa sentir o seu gosto. Gosto que de tão bom me alucina. Venha ser meu, e deixe que eu seja inteiramente sua. Não quero pensar em nada, quero apenas agir com você. Meus quadris dançando em cima de você, suas mãos junto a minha cintura. Meu corpo clama teu toque, minha alma clama teu calor. Me mostre o paraíso, me leve até o céu. Me faça experimentar do teu amor, me faça senti-lo em mim. Sendo apenas um, pele com pele, corpo com corpo, amor com amor.
—Eu irei, e acredito que te encontrarei do mesmo jeito que te deixei, irei pros teus braços e serei inteiramente teu. Só teu. Me espera?